terça-feira, 10 de julho de 2012

Backgroud Forgotten Realms




Minha história é bem complicada, às vezes nem eu posso entendê-la tão claramente.
Vamos começar pelo básico e o mais simples. Meu nome é Grim Calandria. Meu primeiro nome veio da família de minha mãe e o segundo da família de meu pai.
Como você pode ver, sou um meio-elfo.
Minha mãe ― Lureene ― era humana, e vivia na cidade de Arrabar ― Chondath ― juntamente com sua família.
Meu pai ― Galamion Calandria ― é um Elfo Selvagem, que vive na densa Floresta Chondal, juntamente com toda a tribo nos cantos mais isolados do local.
Mas minha história vai muito além dessas informações:
Minha mãe fazia parte de um pequeno templo dedicado a Silvanus, localizado em Arrabar. Ela era uma clériga devotada, sempre preocupada com a preservação das matas, principalmente com a Floresta Chondal que vinha sendo alvo de ladrões e aventureiros marginalizados.
Os rumores dizem que alguns exploradores encontraram ruínas e torres abandonadas a centenas de anos, isso atraiu atenção de pessoas em busca de riquezas e dinheiro fácil. Mas quem sofreu as conseqüências foram as florestas.

As pessoas vandalizavam tudo a sua volta em busca das ruínas. E quando encontraram, muitos deles receberam um grande tesouro em troca, a MORTE.
Isso é o que eles realmente mereceram.
Os que voltavam para casa, estavam realmente loucos, ou beirando a morte. Os que ainda mantinham a consciência para falar, disseram que as ruínas eram amaldiçoadas. Em seu interior os demônios capturavam e matavam os intrusos.
Mas ainda assim, outros aventureiros, ladrões, mercenários e outros, insistiam em devastar a floresta em busca destas ruínas.
O povo da floresta foi forçado a intervir em prol da proteção da mata.
E para ajudá-los, o pequeno templo de Silvanus ― o qual minha mãe fazia parte ― interveio em favor dos elfos e das outras criaturas que lá viviam.
O templo de Silvanus contou com a ajuda do governo de Arrabar e assim meses depois as procuras pelas ruínas pararam.
Foi neste meio tempo de “guerra” contra aventureiros marginais que meus pais se conheceram.
Eles mantiveram um relacionamento às escondidas no começo, mas não demorou muito para que meu pai convencesse a corte de Elfos Selvagens de que minha mãe era confiável.
Então alguns anos se passaram e eles se casaram.
Minha mãe deixou o templo de Silvanus em Arrabar e juntou-se a corte élfica. Ela provou que era realmente confiável e ensinou aos elfos a religião de Silvanus.
Meses depois, eles construíram no coração da Floresta um pequeno templo para adorar ao deus. E quem ministrava o sermão era mina mãe.
Com o tempo ela elegeu outras elfas e elfos para ajudá-la com o templo e logo aquela casa de adoração foi reconhecia não só pelos habitantes das florestas, mas pela própria capital, Arrabar.
Meu pai era um elfo guerreiro, sempre brandindo sua espada em defesa da floresta onde vivia.
O pai de meu pai, ou seja, meu avô, era um poderoso Druida, sempre aconselhando o grande líder da pequena corte que vivia na Floresta Chontal.
Se me lembro bem, meu avô dizia que na floresta havia cerca de 200 elfos selvagens, isso sem contar os outros elfos que viviam as escondidas pelas matas, ou os que estavam de passagem.
Os anos se passaram e minha mãe engravidou.
Houve uma grande festa aquele dia. Meu pai diz que no templo a festa durou dez noites.
Ela estava grávida de um menino, meu avô pode ver com os poderes druidicos e os rituais aprendidos com os Ents de Floresta Alta ao Norte.
Essa criança era meu irmão, Lucan Calandria.
Três anos depois o festival se repetiu, e dessa vez era minha vez de nascer.
Eu e meu irmão fomos criados juntos. Mas ele como primogênito sempre atraiu toda a atenção só para si.
Eu nunca me importei com isso, minha mãe sempre deu a mim o mesmo amor, mas esse era um costume mantido entre homens e Elfos. De certa forma hoje penso que isso não foi bom para meu irmão. Mas a verdadeira causa de sua queda.
Meu avô disse que Lucan deveria dar seguimento na linhagem Druidica ― meu avô era último Druida da corte. Mas meu irmão nunca gostou da arte, preferindo a espada, como meu pai.
Mas a voz de meu avô era seguida a risca. Então não importava o que Lucan pensasse, ele deveria ser um Druida como meu avô.
Enquanto á mim? Eu tive a liberdade de escolher o que quisesse, sem problema nenhum. Então escolhi ser Druida também, para acompanhar meu irmão que sempre teve dificuldades em aprender o que meu avô ensinava.
As pesquisas, as tarefas, tudo era eu que fazia, em dobro, por mim e por ele.
Até o dia em que meu pai descobriu.
A vergonha foi derramada sobre minha casa. O primogênito não tinha capacidade para seguir com o próprio destino, não era capaz de carregar o próprio fardo.
Minha casa virou motivo de zombaria entre a corte e meu avô exilou meu irmão da tribo. Essa era a única maneira de limpar o nome da família.
Minha mãe ficou arrasada como já era de se esperar. Brigou com meu pai e com meu avô. Por pouco ela também não foi exilada, foi salva graças ao passado benéfico e a confiança que ela própria construiu entre a corte.
Antes que meu irmão partisse dos limites de nossa corte, eu fui nomeado como o aprendiz no lugar de meu irmão.
Ele não ficou muito satisfeito, imagino que ele tenha concluído que eu tenha armado tudo isso, e se ele pensa isso, está certamente enganado.
Quando isso aconteceu, ele tinha 20 anos e eu 17.
Lembro-me que ele enviava cartas para minha mãe, ninguém, exceto eu e ela, sabia disso.
Ele dizia em suas cartas que estava à procura de fortuna para construir sua própria corte. Em uma de suas cartas ele dizia estar acompanhado por um grupo de amigos com mesmo ideal. Lembro de ter visto alguns detalhes sobre essas pessoas, era ele, outro Elfo Selvagem, alguns Halflings Espectrais e um Tiefling.
Eles estavam decididos a procurar as antigas ruínas e torres abandonadas, as mesmas que outrora aventureiros marginais partiram à procura de riquezas e acabaram mortos ou loucos.
Minha mãe desesperou-se, mas não havia nada o que pudesse ser feito, se ela enviasse alguém para procurá-los ela seria punida por traição, mantendo contato com exilados. E como eu também sabia das cartas, a punição chegaria até mim e poderíamos ser executados.
Lucan estava à mercê da própria sorte.
Meses passaram-se sem que nenhuma carta chegasse até nós. Passamos a acreditar que meu irmão havia partilhado o mesmo destino que os antecessores dele.
Até o dia em que nossa corte foi atacada por demônios ferozes e sem misericórdia.
Era noite de lua cheia e festejávamos em agrado a Silvanus. Era uma linda festa com flores, frutas e criaturas místicas.
Mas tudo isso acabou tragicamente.
Fomos atacados por quatro criaturas enormes e ferozes. Eram como cães que mediam cerca de três metros de altura. Eram hirsutos e de cores escuras como preto e marrom.
A multidão corria por todos os lados. Os guerreiros adiantaram-se para proteger a corte, e meu pai estava entre eles.
Minha mãe também se juntou aos protetores. Suas magias sempre ajudavam.
Os outros elfos me protegeram e tiraram-me de lá afim de que eu não fosse morto.
Não pude ver o desenrolar da batalha, mas à medida que eu me afastava do local, podia ouvir os gritos de terror e o grunhido de fúria das criaturas.
Eu e os Elfos mais importantes da corte estávamos seguros no templo de Silvanus. Guerreiros faziam a guarda do lado de fora e nas redondezas próximas.
Horas angustiantes passaram lentamente e próximo do amanhecer recebemos a notícia de que os heróis que ficaram para batalhar haviam chegado.
Não pude acreditar no que meus olhos me mostravam.
Muitos dos que ficaram não voltaram. Felizmente meu pai estava de volta, mas em seus braços, ele carregava uma mulher que quase não pude reconhecer senão fosse por suas roupas. Era minha mãe.
Ela estava gravemente ferida e precisava de ajuda, rápido.
Os servos do templo não perderam tempo e logo a recolheram para dentro.
Eu estava estático. Parado no tempo. Sentia-me como se minha alma estive fora do corpo. Tive medo de perder minha mãe.
Mas voltei a mim quando vi o restante dos guerreiros trazerem os prisioneiros.
Eles disseram que um havia morrido em batalha, apenas três restara. E entre eles, reconheci um. Era Lucan!
Impossível ― pensei.
Meu irmão era um dos monstros assassinos.
Os outros dois eu não conhecia, mas um deles também era Elfo e o outro humano.
Todos estavam ensangüentados e cheios de cicatrizes.
Aparentemente estavam inconscientes, uma espécie de sono ou tranze.
Meu pai não parecia o mesmo, estava aflito e com medo. Temia pela morte de minha mãe e pelo o que a corte poderia decidir a respeito de nossa família. Ele temia que as atitudes de meu irmão pudessem arruinar todo o império de honra que ele e meu avô haviam construído. Mas nossa casa não cairia tão facilmente.
Durante aquele dia as decisões foram tomadas pela corte. A influência de meu avô era praticamente inquestionável. A decisão havia partido dele próprio.
E a ordem era: A execução de Lucan e seus comparsas.
Minha mãe não estava muito bem, mas ainda era capaz de manter a consciência. E não demorou muito para que a notícia sobre a execução caísse sobre seus ouvidos.
Seu estado de saúde piorou e antes de sua morte ela me revelou o que havia acontecido com meu irmão e pediu-me um último favor:
Ela revelou que meu irmão havia sido vítima de uma criatura horrenda e amaldiçoada, um lobisomem. Ela completou dizendo que meu irmão havia contraído tal doença em sua empreitada em busca das ruínas, e o nome dessa doença era Licantropia. Ela pediu-me para libertar meu irmão e para procurar uma cura para ele. Ela me fez prometer. E assim o fiz.
Logo após disso ela se foi. Havia partido deste mundo.
Meu irmão seria executado na manha seguinte e logo após seria o funeral de minha mãe.
Então eu deveria agir na calada da noite.
Sem muitos planos tive que improvisar algo rapidamente.
Tentei convencer meu pai e meu avô de desistirem da execução, mas não havia nada que eu pudesse fazer em relação a isso.
Meu pai sensibilizou-se por meu irmão, queria ajudar, mas sua honra perante o nome da família e a corte não permitiram tal ato.
Meu avô estava decidido em sua decisão e com ele todos os outros membros da corte.
Então só me restou agir como um ladino, coisa a qual não era.
Se eu fosse pego em tal ato de traição, seria executado juntamente com meu irmão e seus comparsas.
Mas eu havia prometido para minha mãe, deveria dar procedência nos planos. Essa noite libertaria meu irmão e logo depois partiria em busca de uma cura para ele.
Antes de seguir com meus planos pude ouvir uma conversa de meu avô com meu pai e alguns membros da corte a respeito dos acontecimentos.
Ele dizia que meu irmão estava sendo controlado por Malar “O Senhor das Feras”. Este por sua vez era inimigo de Silvanus, pois suas feras consumiam tudo e todos em busca de sangue e destruição, assassinando assim todas as criaturas da floresta, até sua extinção. Completou dizendo que tal ato deveria ser comunicado à capital Arrabar e em seguida às igrejas de Malar, ordenando que parassem com os ataques frenéticos sobre os povos das florestas. Que a execuções de tais criaturas servissem de aviso. Caso contrário haveria guerra entre as igrejas.
O clima parecia esquentar. Eu deveria agir rápido.
Não ousei perder mais tempo. Parti em disparada para libertar meu irmão.
Ele e seus comparsas estavam presos em jaulas reforçadas, não estavam bem fisicamente, além de muito feridos, estavam magicamente “embriagado”.
Alguns guerreiros faziam a vigia. Não arrisquei agir em furtividade, seria pior se eu fosse pego. Decidi agir normalmente, como se fosse conversar a pedido de meu avô.
Os guardas acreditaram e nos deixaram às sós.
Assustei quando vi Lucan. Ele estava horrível. Parecia um bárbaro das cavernas. Seus amigos não estavam diferentes.
Dei a ele uma poção que encontrara nos aposentos de minha mãe. Era uma poção que revigorava a força e o bem estar. Essa poção é muito comum no templo, era usada para ajudar os guerreiros que voltavam feridos e cansados de caçadas e batalhas contra os destruidores de florestas.
Apenas um gole foi o suficiente para que ele voltasse ao normal.
Ele me olhava com arrependimento nos olhos.
Ele segurou minha mão e pediu-me perdão com lágrimas nos olhos. Estava arrependido pelo o que havia feito com nossa mãe, mas alegou não ser culpa dele.
Lucan revelou estar amaldiçoado. Minha mãe estava certa em suas conclusões. Ele havia guerreado contra lobisomens juntamente com seus comparsas que ele mesmo havia citado na carta, com exceção do humano que havia se juntado a causa recentemente.
Tais criaturas estavam vivendo nas ruínas e torres abandonadas. Ele disse que esse lugar estava infestado de monstros e feras terríveis. Pareciam estar organizando-se para algo maior. Lucan tentou destruí-los, mas eles eram em grande número. Ele e seus amigos tiveram que partir em retirada, mas foram emboscados e feridos pelos lobisomens, contraindo assim a doença Licantrópica.
Agora ele acreditava estar amaldiçoado para sempre, estaria fadado a matar inocentes contra sua vontade, noite após noite. Estaria a serviço de Malar involuntariamente, como um escravo de seus desejos destrutivos.
Então o alertei sobre o que nossa mãe havia dito que ainda havia uma esperança, alguém em algum lugar poderia saber como curá-lo definitivamente, e que eu estava disposto a ajudá-lo.
Lucan alegrou-se, e pediu-me para ajudar também a seus amigos. Eram de boa índole, porém estavam igualmente amaldiçoados.
Concordei em ajudá-los também.
Logo servi uma pequena dose da poção mágica.
Agora todos estavam brevemente recuperados e prontos para fugirem.
Aconselhei meu irmão e seus amigos para que fugissem para longe de Chondath.
― Fujam daqui. Corram para o Sul e atravessem a fronteira para O Shaar. Quando chegarem lá, encontrem a Floresta Shaar. Neste lugar esperem por minha chegada.
Eles concordaram. Fizemos uma breve despedida e em seguida parti.
Fora dos limites da corte eu havia preparado o suficiente para minha fuga.
Não demorou muito e os gritos dos guardas ecoaram por entre as árvores.
Eles estavam fugindo.
Os arqueiros colocaram-se a postos.
Torci para que tudo desse exatamente como planejado.
Esperei alguns minutos e parti para a escuridão do mato. Desapareci, como um camundongo.
Neste momento eu também corria o risco de ser considerado traidor. No mínimo eu estaria sob suspeita. Seria o fim de nossa família. A vergonha de nosso nome.
A floresta não era minha inimiga. Era como minha mãe, me guardava e protegia. Não sentia medo, apenas paz. Caminhei para longe, bem longe. Rumo ao Sul, como combinado.
Possivelmente meu avô enviaria guerreiros e assassinos em nosso encalço. Eu deveria ser cauteloso e rápido.
Durante os incontáveis dias de viajem, pensei nos argumentos ditos por meu irmão. Sobre aquelas criaturas terríveis escondidas nas ruínas e torres abandonadas. Se fosse realmente verdade, nossa corte élfica estaria seriamente me perigo. Espero que as patrulhas de meu avô possam encontrar essa toca de criaturas maléficas.
Devo confessar que agora suspeito que a igreja de Malar esteja planejando algo contra o nosso templo em homenagem à Silvanus. Se isso for verdade tenho que voltar logo após concluir a promessa à minha mãe. E se possível provar a inocência de meu irmão perante a corte, dizendo a eles que Lucan foi o grande descobridor dos planos de Malar. Mas para isso tenho que encontrar a cura, e rápido.
A viajem exaustiva estava prestes a matar-me. Já havia passado alguns dias desde que cruzei a fronteira de Chondath e O Shaar.
Naquele deserto escaldante senti minhas forças se esvaírem. As pernas já não obedeciam mais. Então meus joelhos dobraram-se involuntariamente, jogando-me sobre as areias quentes do deserto.
Pensei que aquele seria meu fim, jogado aos corvos e outras criaturas carnívoras. Olhei para as colinas adiante e desejei que alguém aparecesse, e que viessem em meu auxilio.
Bem, minha prece pareceu ser ouvida, mas apenas pela metade.
Pude ver que alguns cavalos desciam colina abaixo com muita velocidade, eles estavam em cinco. Mas não eram pessoas boas.
Eles cercaram-me e roubaram todos os meus pertences, deixando-me apenas com as roupas do corpo, levaram até mesmo meu robe e o cajado.
Não tive forças para revidar. Eu estava certo de que tudo acabaria ali e de que eu jamais chegaria a concluir a promessa que fizera a minha amada mãe.
Senti meus olhos se fecharem e conclui que seria para sempre.
Um dia depois...
Acordei em uma espécie de cabana. Eu estava em uma esteira de palha no chão.
A cabana era incrivelmente alta e grande.
Do lado de fora pude ouvir vozes. Estavam longe e por isso não consegui ouvir o que estavam conversando.
Decidi levantar.
Senti que minhas forças não estavam completamente recuperadas. Com uma dor irritante na cabeça, lembrei do que havia ocorrido, mas não lembrava como havia chego neste lugar. Nem ao menos sabia onde estava.
Com uma força absurda coloquei-me de pé.
A minha frente, a porta improvisada com uma espécie de lona dançava ao ritmo do vento.
Ao sair deparei-me com criaturas conhecidas. Não eram humanos. Eram Centauros.
Uma tribo nômade.
Eles viajavam sem destino sobre as areias do deserto. Tive sorte e fui encontrado por eles. Mais alguns dias e eu teria morrido.
Quem me encontrou foi Kafral um centauro arqueiro muito simpático. Ele me ajudou a recuperar-me para prosseguir com a viajem.
Expliquei a ele toda minha situação e quais eram meus planos. Ele me ajudou como pode, não sabia nada sobre como curar a Licantropia, mas me disse que havia um Minotauro Druida que viajava pelo deserto. Dizem que ele é muito sábio e é possuidor de grandes segredos, mas ele encerou dizendo que tal ser é raramente visto.
Kafral pareceu ser muito honesto, assim como toda sua tribo nômade.
O convidei para que partisse comigo nessa viajem, afinal de contas, eu não possuía nenhuma técnica mortal em combate e o deserto me pareceu uma área muito hostil, sem dizer que eu me perdia facilmente em suas dunas.
Mas infelizmente Kafral não pode me acompanhar, mas disse que se voltasse a nos encontrar, ele certamente me ajudaria se precisasse.
Fiquei muito grato com sua hospitalidade, agradeci de coração e disse não poderia paga-lo agora, mas assim que tudo isso chegasse ao fim, eu pagaria os gastos dados a sua tribo.
Evidentemente ele não aceitou, mas eu teimei em minha conclusão.
Agora era hora de partir.
Teria que de algum modo encontrar o tal minotauro druida que vagava pelo deserto de Shaar. Não seria uma tarefa fácil, mas eu tinha que tentar, não, eu tinha que conseguir.
Meu irmão e seus amigos estavam na Floresta Shaar e esperariam por mim até que eu chegasse com a cura. Eu não poderia falhar.
Então caminhei. Caminhei até minhas pernas não obedecerem mais aos meus comandos.
Caí de joelhos, esgotado.
Forcei os olhos para além das dunas, era noite e a Lua ajudava a me guiar sobre aquele labirinto sem paredes.
Pude ver uma fogueira, minúscula pela distância.
Reuni o que restava de minhas forças e coloquei-me de pé outra vez.
Senti as pernas fraquejarem. Mas impus minha vontade.
Caminhei com cautela, não queria ser surpreendido por ladrões novamente.
Ao aproximar-me o suficiente pude ver quem estava ao lado da fogueira. E eu mal pude acreditar. Cerrei meus olhos fortemente e certifiquei-me de que não estava sonhando.
Era um minotauro que estava ao lado do fogo. Só podia ser o tal druida do deserto.
Mas ele estava meio estranho para ser druida. Ao seu lado havia espadas e capas. Em sua cabeça apenas um chifre. Em seu corpo algumas cicatrizes. Ele parecia mais um guerreiro.
Só havia um modo de descobrir:
― Hei você! ― chamei
Ele olhou surpreendido, e rápido como uma flecha empunhou sua espada e brandiu em minha direção.
A criatura avantajada e de semblante austero só podia ter me confundido com um dos ladrões do deserto.
Antes de correr por minha vida só tive tempo de gritar:
― ESPERE, NÃO SOU LADRÃO! SÓ ESTOU PROCURANDO O MINOTAURO DRUIDA!
Então dei meia-volta e corri desesperadamente.
Não corri por muito tempo, na verdade acho que dei uns dez passos.
Fui a captura mais fácil.
Mas isso foi bom.
Ele logo percebeu que eu realmente não era um ladrão e muito menos ameaçador. Ele me contou um pouco sobre quem ele era e eu tudo sobre mim.
Pelo menos ele não me matou. Acho que acabamos virando amigos.
Um minotauro e um meio-elfo no deserto.
O que mais poderia me acontecer?

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