quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Coração de Dragão



O Castelo estava sob ataque, o Dragão o havia invadido. Suas robustas paredes eram rompidas como um fraco tecido.
        Corri para janela com meu cajado. Cinco bolas de fogo.
        Não fizeram sobre ele.
          Com uma manobra rápida pulei pelo peitoral e cai lentamente, planando, enquanto orava em silêncio para que Shandakul me embalasse em seus ventos eternos.
        Foi quando senti suas mãos me puxando para cima, eu estava montado em seu varão sagrado. Bredor, o cavalo dos ventos. Subimos o mais rápido possível, cortamos o céu e despencamos contra a fera e as labaredas. Cortávamos os flancos e víamos intrigados o rugir do gás mortal que saia de sua garganta.

        Meus olhos se encheram de coragem. Percebi que era agora o momento de vencer.
Entorpecido pelo inflar de minhas forças, saltei de minha montaria, e com meu cajado guiado pelos sete ventos do oeste destruí a gema do peitoral da besta. Seu ódio transformou-se em chamas.
        E me tragou.
      
Sugado não sentia mais a presença do divino em mim. Apenas me entreguei enquanto caía flácido. Enquanto assistia aturdido meu último momento. Pude ver, quase que de fora de meu corpo, meu robe sibilando tremeluzindo entre cores e formas. Eram runas. Runas do deus justo.
        Tyr me deu uma chance. Agora era a hora.
        A fúria poderosa daquilo que é bom e ordeiro guiava o estraçalhar de meus braços. Pude sentir o medo da fera quando me olhou nos olhos que já não eram da cor da ferrugem, eram brancos e faiscantes. Brancos como os ventos do deus viajante e faiscantes quanto à fúria da justiça.
          A velocidade era minha aliada. Eu caía como um trovão lançado pelos deuses enquanto o dragão se erguia para finalizarmos nosso encontro.
        Era questão de segundos. Segundos que duraram séculos.
        Enquanto fitamos nosso destino, olho no olho, homem e fera. Porem, não era mais aquele homem comum, era a natureza em si, eu era tudo, e tudo era um.
        A essência que me construía transbordava pelos meus punhos. E de lá apenas um destino.

        O choque foi imenso. Como se dois mundos se colidissem.
        Energia vazava por todos os lugares.
         Despencamos juntos. E por um momento não sentia nada em mim, era um corpo vazio em queda livre.
        Segundos depois me dei conta de que estava deitado no imenso tapete verde. O gramado era a cama mais confortável que conhecia.
        Levantei-me e vi o  Imenso demônio de fogo deitado, inerte.
        Aproximei-me e retirei a jóia rara de seu peito. Era vermelha como o sangue e pulsava como um tambor de guerra, profundo, compassado e heróico.
Ergui minhas mãos e agradeci mais uma vez aos responsáveis pela minha vitória. Um relâmpago clareou os céus, e a suave chuva caiu sobre meu corpo cansado enquanto o vento soprava em meus cabelos molhados, levando toda a dor embora.
        Eternamente serei grato.
          Revirei minhas coisas e achei minha sacola de couro batido. Desamarrei os laços e juntei a nova gema com as outras.
         Mais uma fera abatida.
         Mais um dia de luta.
         Mais uma vitória.

- Gordovar, O Coração de Dragão - Contos Gordorianos Vol. III


Escrito por: Renato - Gordo Elfo
Correção e Edição: Raphael Albuquerque (O Lord)

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